Trabalhe menos e colha mais

Juracy Braga Soares Junior
Publicado em: dom, 26/07/2020 - 11:24

Para milhares o título desse artigo pode soar como heresia ou até pecado. Sim, já que a afirmação bíblica famosa é a de que “ganharás o teu pão com o suor do teu rosto”.

O que eu pretendo mostrar aqui não é diferente disso. Só que é necessário contextualizarmos. E na época em que a Bíblia foi escrita, a maior parte de geração de riqueza se dava por meio de trabalhos braçais, embora o empréstimo a juros já existisse, como fica claro na parábola dos talentos.

Voltando para os nossos dias, o certo é que muitos profissionais reclamam que os resultados que colhem são pífios, principalmente considerando o volume de trabalho que desenvolvem diariamente.

E há também os que põem a culpa em inúmeros fatores externos, como a crise; o governo etc.

Aqui é importante deixar claro uma coisa: o trabalho – por si só – não vai levar você a lugar algum. Isso mesmo. A quantidade de trabalho que você realiza por meio de tarefas, por exemplo, não é algo que retorne em forma de resultados para você, sua empresa, seus clientes e sua família.

Sua empresa tem que ser tratada como um filho. Todos os dias observe se está crescendo. Veja o que você pode fazer para melhorá-la. Pergunte-se: qual foi a última vez que você mudou algo em sua empresa? Se a resposta for algo como “vixe!”, então há muito a fazer.

A “execução” de tarefas sem delegação; a armadilha do “toca-toca” cotidiano; e a simples falta de um objetivo traçado, provavelmente são o conjunto de falhas mais comuns que – ao longo do tempo – levam milhares de empresas a sumirem do mercado, a partir da evolução dos mercados nos quais atuam.

É óbvio que esses três pontos elencados acima são básicos e há muito mais além disso. Mas, explico melhor a seguir, pelo menos os tópicos citados, que são a base para uma mudança de perfil capaz de redirecionar o negócio para a perenização:

Execução de tarefas sem delegação. O empreendedor tem que se perceber como a cabeça de sua empresa, de seu negócio. Essa comparação não é à toa. Pare um pouco e visualize o organismo corpo humano. O cérebro é o único órgão que não desempenha qualquer função, o cérebro é, pois, o gerente que delega por excelência. O cérebro envia estímulos elétricos aos diferentes órgãos do corpo, para que cada um execute as tarefas para as quais estão qualificados.

O contrário de um empreendedor que delega é o empresário que decide – para economizar dinheiro do motoboy – realizar tarefas corriqueiras como pagamentos e entregas de produtos, por exemplo. Enquanto economiza trocados realizando tarefas irrelevantes, deixa de atender e captar clientes, bem como perde oportunidades de repensar seu negócio de modo a oferecer mais serviços à sua carteira já captada.

A armadilha do “toca-toca” cotidiano. Milhões de empresários (ou melhor dizendo, donos de empresas) passam anos absorvidos com tarefas gerenciais que foram desenvolvidas por ele, mas que deveriam ter sido já objeto de automação e/ou delegação. É óbvio que em pequenos negócios, o movimento inicial de delegação é difícil, mas não há desculpas para se evoluir nessa direção.

O resultado disso? Enquanto o empreendedor está de “cabeça baixa”, focado em realizar ações rotineiras, deixa de perceber que o seu mercado está mudando; que a forma de realizar negócios naquele segmento está sendo radicalmente transformada. E aí, quando a mudança se materializa, seu negócio se torna irrelevante e tende a ter que se reinventar completamente em pouco tempo, correndo o risco de fechar.

Falta de um objetivo traçado. Pode parecer brincadeira, mas se você for a campo fazer uma pesquisa com uma única pergunta, junto a empresários, você provavelmente vai se espantar com o que vai ouvir. Experimente perguntar aos seus colegas empresários: “qual é o seu objetivo enquanto empresário”?

Muitos vão dizer que é atender bem; outros ganhar dinheiro etc. Poucos vão responder que a empresa tem um conjunto de objetivos traçados ou que há um objetivo macro do qual derivam outros que requerem um planejamento de médio e longo prazo.

O fato é que, se você para um momento, reflete e define um objetivo para sua empresa, a partir daí terá que (re)orientar todas as suas ações para ir ao encontro desse alvo definido pela gestão da empresa. Ou, seja, a partir daquele momento, todo o conjunto de ações daquele negócio devem ser orientadas ao alcance do que está definido.

E quais são os caminhos para se alcançar esse nível básico de excelência em gestão? Aqui vão algumas pistas:

1.: Estude. É incrível que pouquíssimos empresários se deem ao trabalho de estudar. A atitude de qualificação contínua ao longo de toda a sua vida é algo básico. É óbvio que muitas das habilidades que você tem que estudar não serão objeto de execução. Mas até para contratar empresas e profissionais, você deve conhecer sobre os diversos assuntos relacionados, como é o caso do SEO;

2.: Para ir para o SEO, você não precisa morrer. Sim, é claro que você quer ir para o Céu. Mas aí tem que morrer primeiro, certo? Mas ir para o SEO não! Então, se você está lendo isso e não tem ideia do que é, sinto dizer que seu negócio está com os dias contados;

3.: Viagens para outros mercados. Pense em sua próxima viagem como uma oportunidade para realizar um Benchmarking valioso. Sim, você pode se divertir, é claro. Mas aproveite para observar o que pode ser aplicado em seu negócio. Ideias como um “fast pass” numa fila de parque podem ser replicadas em seu negócio sim. Eu mesmo já fiz isso. 

4.: Seja Proativo ao invés de reativo. Muitos empresários só se mexem na busca por melhorias quando a dificuldade chega. Antes disso, passam cinco, dez anos deitados em berço esplêndido achando que está tudo bem, está tudo certo;

5.: Treinamento de gerentes e delegação. Essa frase a seguir não é minha e não sei de quem é, já que é atribuída a muitos profissionais. Leia com atenção: “se você acha que custa caro um profissional é por que não faz ideia de quanto custa um incompetente”. Se você não tem coragem de investir na qualificação de seus gerentes, sinto muito. Experimente ir com sua equipe ao próximo treinamento ou melhor: contrate treinamentos in company periodicamente e leve toda a sua equipe para um hotel ou até mesmo um restaurante! Você sentirá muitas mudanças positivas em seu negócio;

6.: Nichar talvez seja a saída. É lógico que você não consegue competir com os gigantes em seu mercado. Então trate de nichar o seu negócio. Mesmo os grandes não conseguem atender com o nível de personalização e especialização que você é capaz, desde que ame e conheça o que faz. Uma dica infalível para isso: semanalmente dedique-se a atender pessoalmente ou por telefone/email seus clientes. Ouça suas queixas e transforme-as em consultoria de inovação e novos produtos;

7.: Presença online e envelopamento de produtos/serviços. Se o seu cliente não pode comprar o que você vende às duas horas da manhã de um domingo, então há muito o que fazer. O dia tem 24 horas. Então porque você só vende 8h/dia? É.... mas isso é assunto para o próximo artigo.

Por fim e não menos importante: jamais renuncie a um horário diário para você mesmo. Cuidar de seu corpo e mente são atividades das quais você jamais poderá descuidar. Alimente-se bem, faça exercícios físicos diariamente e divirta-se com um hobby.

E tenha sempre em mente que – mesmo fisicamente distante de você – seu negócio deve estar organizado para rodar sem que sua ausência (física) seja notada.

Aproveito para deixar dicas de cursos online que podem lhe ajudar bastante com suas iniciativas empreendedoras. São os seguintes:

Criando um Novo Negócio – Ideias, Oportunidades e Análise de Mercado Gratuito

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Fidelizando o Cliente pelo Atendimento de Qualidade

Boas Venda$ e $uce$$0!
Quero saber se você ainda tem dúvidas. Basta enviar seus questionamentos para o meu e-mail: juracy.soares@unieducar.org.br .

Prof. Dr. Juracy Soares
É professor fundador da Unieducar. É fundador e Editor Chefe da Revista Científica Semana Acadêmica.
Graduado em Direito e Contábeis; Especialista em Auditoria, Mestre em Controladoria e Doutor em Direito; Possui Certificação em Docência do Ensino Superior; É pesquisador em EaD/E-Learning; Autor do livro Enrqueça Dormindo.

Nota do editor: os textos, fotos, vídeos, tabelas e outros materiais iconográficos publicados no espaço “opinião” não refletem necessariamente nosso pensamento, sendo de total responsabilidade do(s) autor(es) as informações, juízos de valor e conceitos divulgados.