A Deficiência na antiguidade

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Publicado em: qua, 07/10/2020 - 08:59

Olá, pessoal, tudo bem? Hoje vamos abordar um tema bastante interessante, que diz respeito a como a deficiência era encarada na antiguidade.

Um fato desconhecido sobre isso é que no Egito antigo o nanismo era muito comum. Segundo historiadores e analistas de obras de arte egípcias, os anões em pessoas muito participativas e trabalhadoras, e jamais foram olhados como seres marginalizados ou desprezados. Inclusive, existe uma determinação emanada pelo Faraó Anenemopé, por volta do final do segundo milênio antes de Cristo que diz: “não ironize o cego, nem ria do anão, nem bloqueie o caminho do aleijado; não aborreça um homem que ficou doente por causa de um Deus, nem faça escândalo quando ele erra”.

Na Bíblia Sagrada podemos ler os Evangelhos narrados por Mateus, Marcos, Lucas e João e, facilmente verificamos que havia uma criança bastante arraigada no povo Judeu naquela época. Cuidadosamente vamos observar nessa leitura que a maioria dos males que afetavam os seres humanos era consequência de pecados antigos, como se a pessoa portadora de deficiência estivesse pagando por esses pecados ou ainda, da interferência de maus espíritos.

Lucas, o evangelista médico, narra o seguinte: “e eis que veio uma mulher que estava possessa de um espírito que a tinha doente há 18 anos; e andava encurvada e não podia absolutamente olhar para cima.” Na mesma passagem, ele coloca as seguintes palavras na boca de Jesus: “mulher, estás livre de tua enfermidade”. Observe que ele não fala em demônios ou maus espíritos, mas em enfermidade.

Na Judeia antiga, no tempo de Jesus Cristo, o destino das pessoas que tinham qualquer deficiência era esmolar para conseguir sobreviver. Os cegos, os amputados e paralíticos, pelas mais variadas causas, acabavam expostos pelos caminhos, nas ruas e praças públicas. Evidentemente, naquela época, o transporte ou a simples movimentação de pessoas que eram afetadas mais seriamente por deficiências, representava um grande problema. Podemos então imaginar a aflição de parentes e amigos dessas pessoas ao saber da existência de um Rabino miraculoso nos arredores da cidade.

A PRIMEIRA CADEIRA DE RODAS
A farta mitologia grega nos conta que Hefesto, filho de Zeus e de Hera nasceu com uma deficiência nas pernas e por esse motivo foi rejeitado pelo próprio pai, mas foi salvo pela deusa Tétis. Tétis lhe ensinou todos os segredos dos trabalhos manuais e da metalurgia mais refinada. Hefesto foi casado com Afrodite, Deusa da Beleza, do amor e da fertilidade. Considerado o deus grego das Artes manuais e da metalurgia, Hefesto aparece em extrações em sua cadeira de rodas Anfíbia, terrestre e alada, indo para o seu trabalho nas oficinas.

A SÍNDROME DE DOWN
A síndrome de Down foi descrita pelo médico inglês John Langdon Down no século passado. Ele detectou alguns sinais físicos semelhantes ao de um grupo de pessoas conhecidas por mongóis. Estas pessoas, quanto ao comportamento, foram qualificadas pelo médico como amistosas e amáveis, mas também foram consideradas improdutivas e incapazes de viver socialmente.

No entanto, com o avanço da Medicina e das novas técnicas de estimulação precoce, sabe-se hoje que o Down não é improdutivo nem incapaz de viver socialmente. O Down é um indivíduo com necessidades especiais que precisa de um tratamento e educação dirigida para se tornar independente. É óbvio que o bebê com síndrome de Down tem as mesmas necessidades de segurança, amor e muito carinho, como qualquer outro bebê. O difícil é modificar a antiga ideia incorporada pelas pessoas ao longo de praticamente um século.

Observem que muitas mudanças começaram a ser feitas, iniciando-se pela denominação. O termo mongolismo, por exemplo, foi substituído por síndrome de Down em homenagem ao médico John Down. Durante as últimas décadas, pesquisas sobre o assunto foram intensificadas e as descobertas passaram a ser divulgadas em todo mundo. Essas informações já estão sendo assimiladas por todos e hoje fazem do Down um indivíduo respeitado, produtivo e realizado na sociedade.

A DEFICIÊNCIA E A DRAMATURGIA
Nascido no ano de 1564 e falecido em 1616, William Shakespeare, foi o maior poeta e dramaturgo inglês de todos os tempos. Devido às múltiplas inserções de assuntos ligados à anatomia, neurologia, fisiologia e áreas afins da medicina em suas peças, há autores que têm a impressão de que ele deve ter tido alguma formação médica.

O dramaturgo faz várias citações de lesões incapacitantes em algumas de suas obras. Todos nós podemos lembrar das peças Romeu e Julieta; Hamlet; Sonho de uma Noite de Verão; A Megera Domada e outras mais. Mas existem diversas outras peças, não tão conhecidas do grande público, nas quais o genial escritor insere pessoas portadoras de deficiência. São os casos de Rei Ricardo III; A Tempestade; Péricles e Otelo.

Na atualidade podemos encontrar uma série de filmes que retratam a Luta pelos direitos de pessoas portadoras de deficiência. O filme Perfume de Mulher, por exemplo, conta a história de um militar aposentado que possui deficiência visual. Esse personagem mostra ao seu jovem amigo as sutilezas que só ele, devido à deficiência, é capaz de decifrar.

Em diversos trechos do filme, o personagem vivido pelo genial Al Pacino revela que, cada vez mais, existem condições favoráveis às pessoas portadoras de alguma deficiência, seja física; auditiva; visual ou mental. E o processo de reconhecimento dos direitos dessas pessoas é irreversível.

Essas reflexões são importantes para demostrar o quanto as sociedades já evoluíram, ao mesmo tempo em que percebemos o quanto ainda se faz necessário aprimorarmos não só os equipamentos; a infraestrutura e serviços oferecidos presencial e remotamente, mas, principalmente, a mentalidade de cidadãos para que possam encarar essas pessoas como sujeitos capazes e ativos, produtivos e merecedores, é óbvio, de direitos e garantias legalmente assegurados.

Esperamos que este artigo lhe seja útil, para suas pesquisas e conhecimento acerca do assunto. Se quiser saber mais sobre o tema, recomendamos o curso online Acessibilidade e Educação Inclusiva.

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