O futuro da Advocacia está em jogo?

Marcella Mourão de Brito
Publicado em: qua, 13/01/2021 - 18:52

Essa pergunta parece latente na cabeça dos advogados.

Recentemente, o Governo Federal anunciou a possibilidade de criação de curso técnico em serviços jurídicos, com o intuito de capacitar pessoas que trabalham no ambiente jurídico. Tal decisão, que já era esperada, causou um movimento no mundo jurídico, e a primeira reação dos juristas, especialmente advogados é afirmar que a profissão, que já é concorrida por natureza, irá acabar de vez.

Some-se a isto o crescente uso da inteligência artificial pelos Tribunais brasileiros, que já possuem inclusive seu próprio sistema. O STF, por exemplo, já utiliza o projeto VICTOR, criado por meio da Inteligência Artificial (IA) para aumentar a eficiência e a velocidade de avaliação judicial dos processos que chegam ao tribunal.

A situação parece preocupante, não é? Mas, será que isso é verdade?

Acredito que é uma questão de percepção.

A advocacia vem sofrendo diversas mudanças, de fato. Desde o início da globalização, as profissões vêm assumindo feições mais fluidas, mas flexíveis e criativas. Isso tomou força significativa com as redes sociais, que humanizaram as relações e aproximaram as pessoas. Para arrematar, o contexto pós pandêmico prevê bastante flexibilidade nas relações, na tomada de decisão, nas negociações contratuais... O que era antes previsível e esperado, passou a tomar contornos inimagináveis. A palavra de ordem tornou-se ADAPTAÇÃO.

Depois de toda essa problemática exposta, é fácil concluir que o ensino jurídico acadêmico, que é voltado principalmente para o ensino de leis, já não se mostra mais suficiente. O advogado moderno passa a não ser mais um mero peticionador, e sim um gestor de conflitos.

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Ele necessita, então, aprender habilidades específicas para atender melhor aos anseios dos seus clientes, e, consequentemente, ajudar o seu cliente a chegar na melhor solução para seu problema, que, não necessariamente será demandar o Poder Judiciário.

Nesse sentido, o profissional precisa entender sobre assuntos como gestão de conflitos, negociação, liderança, gestão empresarial, autoconhecimento, criatividade, dentre outras diversas áreas do conhecimento. Necessita então de uma atualização constante não somente no seu ramo de atuação, mas também em diversas outras áreas. A interdisciplinaridade é mandatória na atuação do advogado moderno.

Apenas assim se tornará um profissional mais competente, e mais apto a compreender as necessidades de seu cliente de uma forma ampla e assertiva. Voltando ao assunto inicial, e desmistificando o discurso do fim da advocacia, esclareço: A advocacia interessada, criativa e empreendedora, que busca solucionar problemas complexos contemplando soluções inovadoras que atendem às necessidades de seus clientes, jamais perderá seu espaço no mercado, pois somente seres humanos conectam com seres humanos. 

Marcella Mourão 
Advogada inscrita na OAB/CE sob o nº 23.459. Mediadora Judicial com certificação emitida pelo CNJ. Mestre em Processo e Direito ao Desenvolvimento pelo Centro Universitário Christus (UNICHRISTUS). Professora universitária. Especialista em Mediação e Gestão de Conflitos pela UNIFOR. Especialista em Direito Processual Civil pela Anhanguera/Uniderp

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